Na sexta-feira, 18, o jornalista uruguaio Gerardo Hernández foi detido pela Brigada Militar em Santana do Livramento (RS) ao gravar à distância imagens do coronel Manuel Cordero Piacentini, também uruguaio, acusado por diversos delitos contra os direitos humanos nos anos 1970. Um familiar de Cordero teria ligado à BM. O jornalistafoi conduzido à Polícia Federal e libertado em menos de uma hora. Ele relatou que lhe pediram a destruição do material gravado, com o que não concordou. A polícia recomendou a Hernández que não se aproxime mais que 50 metros da casa do militar.
Operação Condor
Na Operação Condor, que uniu os sistemas de inteligência das ditaduras do Cone Sul para perseguir, sequestrar e matar militantes de esquerda, Cordero teria sido responsável por mortes e desaparecimentos. Ele foi preso em Santana do Livramento, em 27 de fevereiro de 2007, vindo de Rivera, no Uruguai. Estava foragido, havia um pedido de prisão contra ele expedido pela Justiça daquele país.
O STF autorizou, dia 7 de agosto de 2009, a extradição do militar para a Argentina, onde será julgado pelo sequestro dos sindicalistas Gerardo Gatti e León Duarte, em junho e julho de 1976, respectivamente. No sequestro de Duarte, foi realizado o traslado ilegal de cerca de 20 militantes uruguaios a seu país, em um voo clandestino da Força Aérea. Os uruguaios, sobreviventes do centro clandestino de torturas Automotores Orletti, em Buenos Aires, serão testemunhas no processo contra Cordero.
O juiz penal uruguaio Luis Charles quer julgar Cordero pelo sequestro de uruguaios em Buenos Aires. Dois magistrados argentinos querem colocá-lo no banco dos reus no processo sobre a Automotores Orletti e outro pelo sequestro de crianças.
Sequestrada e torturada por Cordero, Sara Rita Mendez teve seu filho, um bebê de poucos dias, raptado. Somente há poucos anos ela identificou o filho perdido no jovem Simon Riquelo. Cordero também está implicado no sequestro, traslado para o Uruguai, prisão, tortura, assassinato e desaparecimento de María Claudia García Irureta de Gelman. Ela era a nora do poeta argentino Juan Gelman, que teve o filho assassinado sob tortura na Automotores Orletti. Maria Claudia, apesar de argentina, foi levada grávida para o Uruguai. Ela deu à luz uma menina, no cativeiro. Logo depois foi executada.
Ele também é acusado pelo assassinato político do senador uruguaio Zelmal Michelini e de participação no assassinato de Hector Gutierrez Ruiz, ex-presidente da Câmara dos Deputados do Uruguai. O crime foi cometido em Buenos Aires.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Jornalista é detido pela Brigada Militar ao investigar militar uruguaio acusado de participar da Operação Condor
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